Cada vez que vamos para um novo ano, começamos com a típica conversa "ano novo, vida nova".
Começo o post assim para vos explicar a razão pela qual irei falar dos meus "Projetos de Vida". A passagem do ano de 2016 para 2017 foi um ponto de viragem para mim, na essência da expressão. Dei por mim sozinha às 00:01, na rua, a olhar para o céu e a pensar na (minha) vida. Comecei a fazer uma brevíssima introspeção e digo brevíssima porque esse meu ano resume-se de forma bastante rápida. Digo isto agora com toda a serenidade, mas na altura, às 00:01 chocou-me esse meu momento de reflexão e, principalmente as conclusões às quais cheguei.
Apercebi-me que vivi uma fase da minha vida que, devo dizer, durou mais do que apenas o ano de 2016. Começou, sensivelmente, com a minha entrada na faculdade. Já referi noutro post que na altura da candidatura as coisas não correram como eu as tinha planeado. Queria Belas-Artes, fui para Letras. Enfim, estou no curso de Estudos Artísticos, mas sinto realmente falta da prática artística, que tive nos meus anos de secundário em Artes Visuais. De certa maneira, agora que escrevo este post, é que me apercebo realmente que o campo prático no qual eu estava habituada a viver desapareceu (não totalmente, mas quase) não só no domínio artístico como na minha vida em geral.
Tornei-me num corpo em rotina.
Casa-faculdade. Faculdade-casa. Basicamente isto.
Fins de semana por casa. E esta rotina tornou-se mais do que isso: tornou-se numa prisão ilusória na minha vida. O pior é que não demorei tempo a aperceber-me dessa prisão mas a aceitá-la e, obviamente, a decidir sair dela. O raciocínio não é o mais lógico porque na prática quem está preso não tem o poder de decisão sob a sua liberdade mas a prisão a que me refiro é ilusória, uma metáfora, da qual posso escolher sair.
Sei e tenho a completa noção de que sou alguém que olha, vê, observa e pensa sobre as coisas. É complicado e assustador, e acho que posso falar por ti que estás a ler este post, sair de uma prisão criada por nós próprios. Isto porque naturalmente ninguém gosta de destruir aquilo que cria. Mas às vezes é preciso destruir aquilo que se criou, para dar lugar a uma nova criação. É difícil perceber que a palavra destruição e, principalmente a ação de destruir algo, não tem de ser exclusivamente negativa. Nada se torna inútil quando se toma uma decisão, intencionalmente. Com intenção.
Intenções.
Fiquei cerca de 20 minutos naquele momento de introspeção. Porém, ainda mais assustador do que tomar uma decisão é aceitar a verdade que nos leva posteriormente a tomar essa mesma decisão. Ainda para mais quando essa verdade já se anda a "arrastar" à algum tempo. É assustador cair na real, aceitar que a nossa vida se encontra encalhada em certos pontos. Tal como um texto, a nossa vida tem vários sinais. Vírgulas, pontos, exclamações, interrogações principalmente. Tem parágrafos. Capítulos. E porque não ter mais do que uma edição? Mais do que um volume?
Ser uma coleção?
Afinal, se voltarmos atrás no tempo quando ainda não existíamos e não éramos sequer projetos de vida (tinha que fazer este trocadilho com o título, desculpem-me por favor!) podemos claramente concluir que o ser humano é um ser naturalmente (re)coletor. E cada um de nós é exatamente isso: uma coleção. Uma coleção de vivências, de experiências, de sensações. de memórias, de objetos... Somos uma coleção. E se não queremos ganhar pó ou ser mais um livro na prateleira, temos que ser bons livros. Temos que colecionar boas vivências e cultivar projetos nas nossas vidas, porque ninguém o fará por nós.
Numa nota mais pessoal, este ano está a ser aquilo que outros não foram: um ano de verdadeira descoberta pessoal. Tenho vários projetos, várias ideias e cada vez mais, mais perspetivas diferentes, sobre tudo. E isso sabe tão bem. Sentir que somos produtivos e que temos propósitos genuínos com aquilo que fazemos/dizemos/pensamos. Falando agora em termos mais práticos da coisa, este ano quero desenvolver-me no campo fotográfico, vá... talvez seja melhor dizer audiovisual, por ser mais abrangente. Ando a magicar ideias para o YouTube, para vídeos. Preparem-se!
Tenho feito exercício regularmente, todos os dias, geralmente de manhã. E não, não estou a falar da típica corrida para o autocarro, comboio ou metro. Se bem que essa também existe... A nível de alimentação, continuo a minha dieta vegetariana e tenho tentado variar nas receitas e nos modos de cozinhar e conjugar os próprios ingredientes. Água, muita água. Dedicar-me a mim própria, passar tempo comigo. Não só comigo obviamente, mas também com as pessoas de quem gosto. É tão interessante quando os nossos projetos se cruzam com os projetos de outros... Principalmente quando se fundem de maneira natural, com os nossos.
Andar por aí, fotografar e gravar vídeos. Desenhar. Escrever. Ouvir muita música. Conjugar peças de roupa, de maneira diferente. Cuidar do meu corpo, do exterior e do interior. Experimentar coisas novas. Explorar o mundo e as coisas do mundo. Estar mais perto daqueles que querem o meu bem e viceversa.
Viver.
Afinal o projeto mais importante de todos somos nós próprios, que nos devemos descobrir e eventualmente, realizar. E vida é mesmo isso, um projeto que nasce connosco, que se desenvolve e se descobre à medida que vamos crescendo e vivendo, até nos realizarmos. E que melhor maneira de definir a vida, dizendo que a vida somos nós próprios? Nós e aquilo que de nós faz parte.
Partilhem as vossas opiniões.
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