Pode ser difícil encontrar e ter amigos verdadeiros. Falo por experiência própria.
Quando era mais miúda sempre tive o meu grupo de amigos com quem fazia as minhas coisas, com quem tinha os meus momentos. Porém, e muito resumidamente, na transição do nono ano escolar para o décimo, a minha vida social tomou um rumo diferente. Os meus amigos mais chegados ou: mudaram de escola, casa, turma... e mais algumas situações semelhantes. Basicamente, vi-me encalhada a nível de amizades. Sempre estive habituada a conviver com os meus amigos, o normal, quando me vi sem eles do meu lado para o fazer. Senti-me em certa medida sozinha. Sentia necessidade de ter aquele tipo de vivências normais que tinha no passado e que, naquele momento, não tinha.
Eventualmente, acabei por fazer uma grande amiga na minha turma. Outros amigos com quem convivia até ali acabavam por seguir rumos diferentes e as conversas tornavam-se cada vez menores, até chegar ao ponto em que desapareciam. Em parte, permiti isso e, obviamente, não o nego. Mas não gosto de me sentir a mais, em qualquer situação ou com qualquer pessoa. Ou que já não será a melhor decisão continuar a nadar contra a corrente, entendem?
Inicialmente foi estranho, mas com o tempo habituei-me à ideia. E com desilusões ou não, estas minhas vivências a nível das amizades tiveram um grande impacto na minha vida. Afinal sempre tive o meu círculo de amigos.
Poderia dizer infelizmente, mas sou da opinião que o que acontece, acontece porque tem que acontecer. Portanto digo felizmente, todas essas tais vivências a que me referi, resultaram em lições, aprendizagens que levo e levarei para o resto da minha vida. Aprendi que um amigo, por muito distante que esteja, nunca desaparece. Quando se é amigo de alguém, preocupa-se com o outro. Podemos ficar um dia, meses até, sem falar com a pessoa em questão, mas é importante saber diferenciar o amigo verdadeiro, do amigo da onça, aquele que está lá por estar ou porque simplesmente lhe convém estar.
Aprendi que não podemos confiar a 100% em ninguém. Assim como já me aconteceu a mim, a vocês também já deverá ter acontecido o seguinte: olhar para o passado e questionarem-se a vocês próprios "Como é que consegui fazer isto? Gostar disto? Confiar naquela pessoa?"... E outras tantas perguntas, que não significam arrependimento, mas alguma confusão ou estranheza sobre algumas decisões que tomamos pela vida. É normal. A vida é mesmo assim e nós também somos assim. Somos o ser que se questiona constantemente sobre aquilo que fez, faz e fará. Pondo um certo travão nisso, podemos evitar situações de desilusão, de mágoa e num último instante, de puro arrependimento.
Mas o mais importante que tiro deste assunto é que não importa a quantidade, mas a qualidade. Nesta situação, especificamente. Mais vale termos três, quatro, cinco bons amigos do que cem, duzentos que não o são verdadeiramente. E não é anormal/mau/estranho/incomum ter poucos amigos. Até me atreveria a dizer que cada vez mais as pessoas sentem isto relativamente às amizades.
Partilhem a vossa opinião sobre o tema.
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