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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

pontes

Procuro-me pela noite,
Sem saber por onde começar,
Procuro-te por lá também,
Na esperança de te encontrar
E pedir-te que me guies,
Apesar de saber por e para onde quero
Que me leves.

Cega, cego,
Cegos de amor,
Mares de bonança,
Universos dentro de ti,
Limites da mente que não mentem
E te metem assim,
Por e para mim.

Eu e tu, tu e eu,
Somos poesia de um filme,
Cenário de futuros encenados,
Espelhos quebrados,
Corações maturados.

Somos ondas do mar,
Que vão, que vêm,
Pensamentos em devaneio,
Tempo explicado sob forma de conceito
Num ciclo vicioso que me causa ânsia
E que me deixa o coração quase a sair do peito.

Nem tudo se vê com olhos,
Nem tudo se sente com o coração.

Vê-me a partir em cacos,
Pedaços de mim que te cortam,
Pedaços de mim que te descontrolam
E que vivem no vazio daquilo que escolhemos dizer.

Vê-me quebrar,
Estilhaços de menina,
Quebras sem retorno
Com gavetas por abrir
E tantas outras por fechar,
Mas amor, deixa-as estar.
Amor, deixa-as assim ficar.
Sou eu.

Sendo o tempo um conceito,
Gosto de pensar sobre ele:
Olho para as paredes,
Miro o teto,
Busco por respostas,
Vozes que me falem,
Vozes que me sussurrem ao ouvido
"Vai, voa, não voltes".

Fugir daqui,
Fazer casa em ti
Na casa que já em nós existe,
Dançar à luz da lua,
Correr percorrendo ruas,
Por pontes mais minhas que tuas,
E dançar outra vez à luz da lua,
Percorrer novas ruas,


Por pontes tão minhas quanto tuas.

// 3 de agosto de 2021

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