escreve torto por linhas direitas,
só para contrariar o politicamente correto
com a vontade crua de querer ser,
aquilo que é.
nascida a 97, a três anos de fechar um milénio,
nascida no meio de uma primavera que já vai cheirando a verão,
aos dois anos já diziam na creche, ser senhora de seu nariz,
sonhando com um império,
não daqueles de bens materiais que governam pessoas e sujam mentes,
dementes, esses não...
sonhando com um império de pessoas, animais e plantas,
um império farto em pouco,
daquilo que ela sempre soube fazer-lhe feliz.
nada no túnel do tempo
sempre que o tempo a permite,
mergulha na praia da ampulheta,
grão a grão enche ela a curiosidade,
como se na vida fosse estafeta,
portadora de conhecimento, mensagens e opiniões
de pincel preto em tela branca,
fazendo no branco várias manchas,
que já não saem com a lavagem.
sonha em ser mãe desde que aprendeu a ser filha,
irmã e prima, sobrinha também,
e aquilo que não foi tanto,
de maneira dividida,
fez-se de despercebida,
e chegou-lhe só a figura de mãe,
para o saber.
como se fosse uma abelha,
voa para fora da colmeia,
vagueia pelo dia,
não fosse isto o bem que procuraria.
e todos os dias pela noite,
volta ao cochilo da manta,
ouve a cigarra que canta,
e escreve louca,
loucamente,
num repetido mantra,
de amor.
não fosse o amor, aquilo que ela sempre procurou,
desde os dois anos de senhora
que sempre penhorou
a ideia de não ter um círculo de amor,
de família,
daquilo que construir,
desconstruindo um dia.
pão de ontem, quase ninguém o come,
quase ninguém o aproveita,
colheita das sementes aproveitadas,
semeadas,
intensidade planeada,
com acentos de espontaneidade pegada,
não fosse ela estar acordada de madrugada,
a respeitar o escuro da noite,
pernoitando por aí.
e é aí,
que apaixonada se faz a senhora,
que independente se tornou seu nariz,
pois agora que conhece a noite,
pois agora que conhece o dia,
vive-os
e neles escolhe tentar
ser feliz.
16:42 // 15 de setembro, 2021
só para contrariar o politicamente correto
com a vontade crua de querer ser,
aquilo que é.
nascida a 97, a três anos de fechar um milénio,
nascida no meio de uma primavera que já vai cheirando a verão,
aos dois anos já diziam na creche, ser senhora de seu nariz,
sonhando com um império,
não daqueles de bens materiais que governam pessoas e sujam mentes,
dementes, esses não...
sonhando com um império de pessoas, animais e plantas,
um império farto em pouco,
daquilo que ela sempre soube fazer-lhe feliz.
nada no túnel do tempo
sempre que o tempo a permite,
mergulha na praia da ampulheta,
grão a grão enche ela a curiosidade,
como se na vida fosse estafeta,
portadora de conhecimento, mensagens e opiniões
de pincel preto em tela branca,
fazendo no branco várias manchas,
que já não saem com a lavagem.
sonha em ser mãe desde que aprendeu a ser filha,
irmã e prima, sobrinha também,
e aquilo que não foi tanto,
de maneira dividida,
fez-se de despercebida,
e chegou-lhe só a figura de mãe,
para o saber.
como se fosse uma abelha,
voa para fora da colmeia,
vagueia pelo dia,
não fosse isto o bem que procuraria.
e todos os dias pela noite,
volta ao cochilo da manta,
ouve a cigarra que canta,
e escreve louca,
loucamente,
num repetido mantra,
de amor.
não fosse o amor, aquilo que ela sempre procurou,
desde os dois anos de senhora
que sempre penhorou
a ideia de não ter um círculo de amor,
de família,
daquilo que construir,
desconstruindo um dia.
pão de ontem, quase ninguém o come,
quase ninguém o aproveita,
colheita das sementes aproveitadas,
semeadas,
intensidade planeada,
com acentos de espontaneidade pegada,
não fosse ela estar acordada de madrugada,
a respeitar o escuro da noite,
pernoitando por aí.
e é aí,
que apaixonada se faz a senhora,
que independente se tornou seu nariz,
pois agora que conhece a noite,
pois agora que conhece o dia,
vive-os
e neles escolhe tentar
ser feliz.
16:42 // 15 de setembro, 2021